Gente que ajuda gente
Muitas pessoas dedicam a noite de Natal para ajudar quem mais precisa

Enquanto milhares de pessoas estão comemorando o Natal e trocando presentes, muitas estão sozinhas em casa ou nas ruas. O espocar dos foguetes, as gargalhadas e todo o clima festivo é algo que não faz parte david adequem é morador de rua ou sofre com a depressão. Mas nem todos são esquecidos por completo, pois há quem dedique a noite de Natal para ser solidário com o próximo.
Este é o caso do engenheiro elétrico Antonio Batista, 64 anos, voluntário do Centro de Valorização da Vida, na capital paulista. Em novembro de 2000, Antônio decidiu fazer o curso da CVV depois de uma amiga o convencer, pois achou que ele tinha o perfil para fazer o trabalho. Na noite deste Natal, das 23h até as 3h, Antonio vai ficar recebendo ligações de todo o Brasil pelo141.
“No Natal é comum eu atender pessoas solitárias, que só precisam conversar com alguém. Elas contam suas histórias, lembram dos familiares que já partiram e revelam quais são seus anseios. Cabe a mim ouvir e, quando necessário, dar orientações”, revela.
Para fazer esse trabalho, Antonio não deixa decom emo raro Natal com seus familiares. “Para poder ajudar o próximo, o Natal em família é sempre mais cedo. Depois vou para o meu compromisso, que me gratifica muito. Eu ajudo o próximo e também aprendo muito. Hoje, sou uma pessoa melhor, mais compreensiva comas coisas”,afirma.
Enquanto Antonio está aguardando uma ligação na noite de Natal, a 1,1 mil quilômetro dali, no cent rode Gravataí,noRioGrandedo Sul, a dona de casa Iolanda, 40 anos, e seu marido, o vigilante Carlos Alberto Tosmann, 47, estarão em uma praça no centro da cidade. É ali que acontece a Ceia de Natal. Sobre uma mesa de concreto, coberta por uma toalha branca, quentinhas serão distribuídas para moradores de ruas e carentes que estiverem passando.
A atividade voluntária no Natal iniciou há três anos, quando o casal criou o grupo Amor é a Esperança.
“Nós decidimos fazer essa ação depois que nosso filho passou por um grave problema de saúde. Recebemos ajuda de muitas pessoas e isso nos inspirou a fazer o mesmo.Nesta época de festa sde final de ano, quem mora na rua fica muito carente e a tristeza toma conta. A gente leva para eles um pouco de carinhoe alegria.Nameia--noite,todos se abraçam e rezamos”, revela. Depois da Ceia, o casal segue pela avenida que liga Gravataí a Porto Alegre, passando por Cachoeirinha. No caminho, entregam quentinhas e roupas que são recolhidas durante o ano. “No ano passado, uma situação me marcou muito: estávamos entregando as marmitas em um posto de gasolina abandonado em Gravataí, quando encontramos um rapaz de 23 anos. Ele era dependente químico e nos implorou para conseguirmos uma internação em uma clínica de recuperação. Trouxemos ele para a minha casa, demos banho, cortamos o cabelo e a barba e no dia de Natal, levamos ele para uma clínica.”
O casal ainda passa pelas emergências dos hospitais das duas cidades. Levam lanches para quem aguarda atendimento e seus familiares.O trabalho do grupo se estende ao longo de todo o ano, beneficiando centenas de carentes.






