De Emil Odebrecht à Usina Salto Pilão

A colonização e desenvolvimento do Vale do Itajaí estão umbilicalmente ligada ao principal rio que corta, transversalmente, toda a região: o Itajaí-Açu, cujo nome indígena significa“Rio Grand eque Corre sobre Pedras”.
Este imponente curso d ́água, multifacetado e de extraordinária beleza, há séculos serve o pujante Vale do Itajaí. Nos primórdios da conquista da colônia, o Itajaí-Açu serviu de guia para as incursões dos desbravadores. O mais notável deles, engenheiro Emil
Odebrecht, seguiu pelas suas margens e as de seus afluentes. Desta forma, pôde orientar-se, mapear a região e romper to-do o
Vale Norte e Alto Vale, chegando ao Planalto.
Odebrecht descobriu e indicou dezenas de acidentes geográficos, dentre eles muitos rios batizados pelos nomes que hoje pronunciamos.
Desde aquela época, a força do rio Itajaí-Açu despertava a atenção para o potencial que poderia representar.
O escritor Victor Lucas, no livro “Olhos Azuis”, faz uma narrativa de viagem de Odebrecht: “Mais uma vez, olha o grande Salto dos Pilões. Como engenheiro sabe o que representam as forças que ali se diluem e perdem. Contudo, daqui a um século, quem sabe, será uma fonte de energias que sustentarão as futuras indústrias, para o bem da humanidade.”
As primeiras necessidades de energia do Vale começaram a ser supridas com a instalação das “rodas d'água”e dos locomóveis.
Desde então, a chegada das indústrias e a demanda crescente pelo uso da energia elétrica, despertou o interesse por estudos hidráulicos no rio Itajaí. Nas proximidades do Salto Pilão, acidente geográfico localizado na parte alta do Itajaí-Açu, desde cedo chamou a atenção dos engenheiros, acostumados a garimpar locais propícios para a construção de usinas hidrelétricas. Residia ali, uma grande força a ser utilizada.
Ao longo de décadas foram feitos estudos superficiais no local, prevendo diferentes layouts de projeto que contemplavam a geração de diferentes potências de eletricidade. O que determina o Itajaí-Açu como um privilegiado curso fluvial para a geração de eletricidade é uma característica essencial: o seu acentuado desnível, concentrado em numerosos saltos e corredeiras, particularmente, num trecho de 14 quilômetros. Nesse ponto, as águas descem mais de 200 metros entre as localidades de Salto Pilão - na divisa dos municípios de Ibirama e Lontras, edeSubida,emApiúna.
Os estudos mais conclusivos ocorreram no início da década de 90 quando o grupo Japan International Cooperation Agency - JICA, inventariou a Bacia do Rio Itajaí-Açu e elaborou um “Estudo de Pré-viabilidade dos Aproveitamentos de Energia Hidrelétrica de Salto Pilão, Dalbérgia e Benedito Novo”, denominado de Plano Master. Neste inventário, o aproveitamento Salto Pilão foi identificado como o projeto de usina hidrelétrica mais competitiva na bacia do rio Itajaí.
Durante 10 anos, o projeto passou por estudos, modificações e complementações. Até que em novembro de 2001, acontece o leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a outorga da concessão do Aproveitamento Hidrelétrico Salto Pilão. Com a melhor proposta, os grupos empresariais Votorantim, Camargo Corrêa Geradora de Energia e DME Energética formaram o CESAP (Consórcio Empresarial Salto Pilão) que sagrou-se vencedor. Com as licenças ambientais emitidas pela Fatma, o CESAP deu início às obras no dia 1° de agosto de 2006. Em 2009 a Usina Salto Pilão entra em funcionamento, iniciando a operação comercial.
O local onde o empreendimento foi construído é único, pois, em nenhum outro ponto do Itajaí e seus formadores é possível uma Usina com tal importante potência geradora.
Hoje, a Salto Pilão é geradora de riqueza para Apiúna que tem em seu território a unidade de geração de energia.







